Imprensa

FAO defende medidas urgentes para combater a poluição dos solos em Moçambique

FAO defende medidas urgentes para combater a poluição dos solos em Moçambique

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) defendeu, esta quinta-feira, medidas urgentes para combater a poluição do solo em Moçambique, considerando que a degradação dos solos afecta a segurança alimentar e nutricional no país.

“São necessárias medidas urgentes para combater a poluição dos solos e conter as múltiplas ameaças que representa para a segurança alimentar”, disse a especialista nacional da FAO para a área de solos e água, Laurinda Nobela, durante uma mesa redonda realizada esta quinta-feira, em Maputo, uma iniciativa que contou com a colaboração com o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), por ocasião do Dia Mundial dos Solos que se assinalou na quarta-feira.

A especialista da FAO acrescentou ainda que, “para o caso específico de Moçambique, a acção humana e as mudanças climáticas constituem as principais causas que têm ameaçado a qualidade dos solos, que são maioritariamente afectados pela erosão hídrica”.

Em representação da Directora Geral do IIAM, a Directora do Departamento de Formação e Transferência de Tecnologias, Albertina Alage, apelou à união de esforços na luta contra a degradação dos solos, referindo que o uso sustentável do solo é condição para o aumento da produção e produtividade e para o melhoramento da segurança alimentar no país.

“Hoje marcamos um passo importante para que os moçambicanos tenham atenção às suas acções no uso e conservação dos solos, evitando assim a sua degradação”, observou.

Este ano, o lema do Dia Mundial do Solo, que se celebra no dia 05 de Dezembro, é "Seja a solução à poluição do solo", e a FAO recomenda algumas acções sobre como reduzir a contaminação do solo nos níveis estadual, industrial e do consumidor.

O uso de agro-químicos sem observância de devidos cuidados, os resíduos sólidos e águas residuais não tratadas constituem também uma fonte de poluição do solo, que a médio prazo levam poluentes à cadeia alimentar com sérias consequências para a saúde e bem-estar dos consumidores.

Por causa de práticas agrícolas inapropriadas, segundo o Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA 2010-2019), prevê-se um incremento acelerado na redução da fertilidade dos solos e estima-se que a população urbana possa atingir os 45% em 2019, contra os actuais 35%, o que irá traduzir num aumento considerável da procura de alimentos nos próximos 10 anos.

Laurinda Nobela explica que “o aumento da necessidade de alimentos para essa população implica o aumento de áreas de cultivo e ou intensificação da agricultura, o que propicia ainda mais a degradação dos solos.

“Perante esse cenário, torna-se necessário o uso de práticas sustentáveis tais como diversificação de culturas, agro-ecologia, cobertura do solo, reflorestamento, entre outras”, concluiu.

A FAO tem estado a implementar programas que promovem estas práticas através da abordagem Escola na Machamba do Camponês (EMC) onde capacita técnicos e produtores agrários em práticas de uso e gestão sustentável, fortalecendo as suas capacidades de resiliência e adaptação às mudanças climáticas; incluindo a produção de um Currículo de opções de medidas de adaptação/ manual de EMC e um Código de conduta de utilização de fertilizantes e pesticidas.

A FAO lidera a Parceria Global de Solos e incentiva o maneio sustentável de tal forma que o Painel intergovernamental dos países membros desenvolveu um guião voluntário com estratégias e práticas de maneio sustentável de solos.

A Parceria Global de Solos foi criada pela FAO para salvaguardar o conhecimento de que as práticas inapropriadas e a pressão do ser humano associada às mudanças climáticas, estão a intensificar a degradação dos solos, apesar do papel essencial que o solo desempenha nos meios de subsistência humana.

Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de 33% dos solos do planeta estão degradados, e mais de 10 milhões de pessoas já abandonaram os seus locais de origem devido à, entre outros, degradação dos solos. (RM)